VENCEDORES. Logo na noite de 4 de outubro, os derrotados nas eleições legislativas começaram a delinear uma estratégia que os pudesse transformar em vencedores. Cedo se percebeu que para a esquerda uma simples soma aritmética seria suficiente para lhes conferir o direito de governarem o país. Os derrotados, afinal, não haviam perdido.
COMPARAÇÕES. A Comunicação Social alinhou nesta subversão do nosso sistema democrático e tradicional. Encontrou exemplos em outros países, ignorando as diferenças dos processos eleitorais e das tradições constitucionais em cada um deles. Veja-se que a Dinamarca, o Luxemburgo ou a Noruega, alguns dos exemplos identificados, são monarquias constitucionais, pelo que não deviam ser comparados “tout court” com o regime semi-presidencialista português.
ESPANTO. Sem importância parece ter também o facto de uma coligação de esquerda constituir uma verdadeira surpresa para os eleitores que dela nunca ouviram falar durante a campanha eleitoral, ademais agravada pela absoluta incompatibilidade dos programas das forças politicas que a integrariam. Contrária à vontade esmagadora dos portugueses, teríamos uma coligação contra a União Europeia, o EURO e a NATO.
MESSIAS. A mesma Comunicação Social ou uma boa parte dela, esquecendo-se que numa democracia deve formar governo quem ganhou as eleições, acabou por encontrar em António Costa, um combatente, um resistente, um grande negociador, um político de consensos, o único homem capaz de romper com a história da democracia portuguesa.
DÚVIDA. Nada mais falso. António Costa apenas está interessado na sua sobrevivência politica. Apenas o preocupa a sua própria crise. A situação do país, a vontade dos eleitores, que sempre alegara defender é-lhe agora absolutamente irrelevante e indiferente. António Costa sabe que não tem salvação. Um homem desesperado pode ser perigoso, pelo que subsiste apenas uma dúvida: estará António Costa disposto a arrastar consigo o PS e os portugueses?
Ponto de Ordem, Jornal Cidade Hoje, 15 de Outubro de 2015
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