quinta-feira, 8 de outubro de 2015

"POUCOCHINHO"

POUCOCHINHO. Uma derrota eleitoral não implica necessariamente um pedido de demissão, mas depois de ter apeado António José Seguro da liderança do PS, apoucando aquele pela escassa vitória nas últimas eleições europeias, António Costa ditou a sua própria sentença de morte se não ganhasse com maioria absoluta, as eleições legislativas que se seguiriam. Perdeu-as de forma estrondosa. Foi o grande derrotado da noite eleitoral de domingo passado. Apresentar a demissão era a única saída politicamente aceitável. Não o fez. Fez pior. Inacreditavelmente, apresentou-se como o derrotado mais satisfeito da história da democracia portuguesa. A sua liderança dificilmente durará por muito mais tempo. Acabará mais mês, menos mês, por sair empurrado.

COQUELUCHES. Há partidos sem qualquer peso político, sem implantação real no terreno, mas que beneficiam, incompreensivelmente, de uma cobertura mediática que não tem qualquer correspondência com a sua efetiva representação eleitoral. É disso exemplo o “Livre” de Rui Tavares, o “Agir” de Joana Amaral Dias ou o “PDR” de Marinho e Pinto, que até do PAN, absolutamente ignorado pela mesma comunicação social, conseguiram ficar atrás.

ANALISTAS. Pedro Passos Coelho foi o grande vencedor destas eleições. Venceu-as, inclusive, contra os analistas e os comentadores que nunca acertam nos prognósticos. Venceu-as contra uma certa comunicação social que deliberada e sistematicamente raciocina erradamente. Uns e outros, cedo o condenaram à morte e acreditaram nessa possibilidade até ao término da campanha, esperançosos que as sondagens das últimas semanas estivessem erradas. Falharam redondamente.

5 DE OUTUBRO. Discordo do Senhor Presidente da República. O facto de terem ocorrido eleições no dia 4 de Outubro e o mais alto magistrado da Nação poder estar ainda a refletir sobre os resultados das eleições legislativas não me parece que pudesse constituir razão suficiente que justificasse a sua ausência às cerimónias comemorativas do 5 de Outubro. Esta é uma data histórica de elevado simbolismo, data da fundação da República, sem a qual não existiria o cargo que o Prof. Aníbal Cavaco Silva exatamente ocupa.

Ponto de Ordem, Cidade Hoje, 08 de Outubro de 2015

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