POUCOCHINHO. Uma derrota eleitoral não implica necessariamente um
pedido de demissão, mas depois de ter apeado António José Seguro da liderança
do PS, apoucando aquele pela escassa vitória nas últimas eleições europeias,
António Costa ditou a sua própria sentença de morte se não ganhasse com maioria
absoluta, as eleições legislativas que se seguiriam. Perdeu-as de forma
estrondosa. Foi o grande derrotado da noite eleitoral de domingo passado. Apresentar
a demissão era a única saída politicamente aceitável. Não o fez. Fez pior.
Inacreditavelmente, apresentou-se como o derrotado mais satisfeito da história
da democracia portuguesa. A sua liderança dificilmente durará por muito mais
tempo. Acabará mais mês, menos mês, por sair empurrado.
COQUELUCHES. Há partidos sem qualquer peso político, sem
implantação real no terreno, mas que beneficiam, incompreensivelmente, de uma
cobertura mediática que não tem qualquer correspondência com a sua efetiva
representação eleitoral. É disso exemplo o “Livre” de Rui Tavares, o “Agir” de
Joana Amaral Dias ou o “PDR” de Marinho e Pinto, que até do PAN, absolutamente ignorado
pela mesma comunicação social, conseguiram ficar atrás.
ANALISTAS. Pedro Passos Coelho foi o grande vencedor destas
eleições. Venceu-as, inclusive, contra os analistas e os comentadores que nunca
acertam nos prognósticos. Venceu-as contra uma certa comunicação social que deliberada
e sistematicamente raciocina erradamente. Uns e outros, cedo o condenaram à
morte e acreditaram nessa possibilidade até ao término da campanha,
esperançosos que as sondagens das últimas semanas estivessem erradas. Falharam
redondamente.
5 DE OUTUBRO. Discordo do Senhor Presidente da República. O facto
de terem ocorrido eleições no dia 4 de Outubro e o mais alto magistrado da
Nação poder estar ainda a refletir sobre os resultados das eleições
legislativas não me parece que pudesse constituir razão suficiente que
justificasse a sua ausência às cerimónias comemorativas do 5 de Outubro. Esta é
uma data histórica de elevado simbolismo, data da fundação da República, sem a
qual não existiria o cargo que o Prof. Aníbal Cavaco Silva exatamente ocupa.
Ponto de Ordem, Cidade Hoje, 08 de Outubro de 2015
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